Integração CAPS Infantojuvenil e UPA: desafios no atendimento a jovens usuários de “Drogas K”
Problema/Situação:
Durante os encontros mensais de apoio matricial entre o CAPSij e a UPA, observou-se um aumento no número de adolescentes atendidos nos serviços de urgência e emergência em decorrência do uso de canabinoides sintéticos, como K2, K4, K9 e Spice. Embora a estabilização clínica seja frequentemente alcançada, os encaminhamentos para o CAPS enfrentam barreiras, pois tanto os adolescentes quanto suas famílias demonstram resistência em acessar o serviço.
Texto completo:
Integração CAPS Infantojuvenil e UPA: Desafios no Atendimento a Jovens Usuários de “Drogas K” Autor Principal: Régis Buldo Pires¹ Coautora: Eudocha Antunes de Oliveira Rocha² Introdução: Este trabalho relata a experiência do cuidado compartilhado entre o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil II (CAPSij II), localizado no território de Guaianases, zona leste de São Paulo, e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O objetivo central é fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e aprimorar o atendimento a crianças e adolescentes em situações de intoxicação por canabinoides sintéticos. Para alcançar esse objetivo, foram utilizados como referenciais o Guia Prático de Matriciamento em Saúde Mental do Ministério da Saúde (CHIAVERINI, 2011) e a Nota Técnica nº 04/2023 da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS-SP, 2023). Esta última fornece orientações específicas para a assistência a intoxicações por canabinoides sintéticos na população infantojuvenil, com ênfase na promoção de cuidado humanizado e na transição eficaz entre os diferentes pontos de atenção. Apresentação do Problema: Durante os encontros mensais de apoio matricial entre o CAPSij e a UPA, observou-se um aumento no número de adolescentes atendidos nos serviços de urgência e emergência em decorrência do uso de canabinoides sintéticos, como K2, K4, K9 e Spice. Embora a estabilização clínica seja frequentemente alcançada, os encaminhamentos para o CAPS enfrentam barreiras, pois tanto os adolescentes quanto suas famílias demonstram resistência em acessar o serviço. Discussão Nos encontros mensais entre a UPA e os CAPS Infantojuvenil, Adulto e Álcool e Drogas do território, participam profissionais de diferentes categorias da equipe multiprofissional — psicólogos, enfermeiros, médicos, farmacêuticos e assistentes sociais. Nesses espaços, realizam-se discussões de casos complexos, ações de educação permanente e planejamento de estratégias de cuidado em saúde mental. Esse trabalho conjunto favorece abordagens específicas para crianças e adolescentes em intenso sofrimento psíquico, com sinais de intoxicação ou demandas clínicas associadas ao uso abusivo de substâncias psicoativas. As equipes priorizam a vinculação dos usuários ao CAPSij de referência, utilizando estratégias de intervenção conjunta durante o período de observação na Rede de Urgência e Emergência (RUE). Tal prática assegura uma transição de cuidado eficaz após a alta, com acolhimento no CAPS para elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS). Além disso, há articulação com a RAPS para intervir em fatores psicossociais que impactam o usuário e sua família em situações de sofrimento. Quando necessário, o acolhimento no CAPS III é oferecido para observação de sintomas residuais. Considerações Finais: A implementação do modelo de cuidado compartilhado entre os serviços tem promovido de forma significativa a integração entre os pontos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Essa integração tem gerado avanços notáveis no atendimento a crianças e adolescentes em situação de intenso sofrimento psíquico associado ao uso de substâncias psicoativas. As reuniões mensais têm sido fundamentais para o fortalecimento do diálogo entre profissionais de diferentes níveis de atenção, aprimorando a transição de cuidados e o manejo dos casos. Como principais resultados, destacam-se: • Melhora na coordenação do cuidado; • Eficiência na transição entre serviços; • Aprimoramento da qualidade do atendimento; • Desenvolvimento de estratégias mais eficazes. Os resultados evidenciam que a construção do cuidado compartilhado tem potencializado a eficácia da rede, oferecendo uma jornada mais qualificada e integral para os pacientes. Esta prática, implementada com êxito nos CAPS, reflete os avanços alcançados após 23 anos da reforma psiquiátrica no Brasil, demonstrando evolução contínua no modelo de atendimento e na integração dos serviços de saúde mental. Referências: CHIAVERINI, D. H. (Org.). Guia Prático de Matriciamento em Saúde Mental. Brasília, DF: Ministério da Saúde; Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_matriciamento_saude_ mental.pdf. Acesso em: 9 jan. 2024. SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO. Nota Técnica nº 04/2023 – Orientações para Assistência às Intoxicações por Canabinoides Sintéticos junto à População Infantojuvenil e Adulto na RAPS-MSP – Versão 2. São Paulo, 2023. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/nota_tecnica_ 04_23_canabinoides_sinteticos(1).pdf. Acesso em: 8 set. 2024.
Objetivos/Resultado esperados:
O objetivo central é fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e aprimorar o atendimento a crianças e adolescentes em situações de intoxicação por canabinoides sintéticos.
Recursos:
Encontros mensais entre a UPA e os CAPS Infantojuvenil, Adulto e Álcool e Drogas do território, onde participam profissionais de diferentes categorias da equipe multiprofissional — psicólogos, enfermeiros, médicos, farmacêuticos e assistentes sociais. Nesses espaços, realizam-se discussões de casos complexos, ações de educação permanente e planejamento de estratégias de cuidado em saúde mental.
Resultados alcançados/Impactos:
Melhora na coordenação do cuidado; Eficiência na transição entre serviços; Aprimoramento da qualidade do atendimento; Desenvolvimento de estratégias mais eficazes.
Desafios:
Garantir a continuidade dos espaços mensais e a comunicação contínua sobre os casos discutidos e encaminhados ao serviço CAPS. Tais desafios foram contornados com o apoio institucional e com o fortalecimento de vínculo entre os trabalhadores de ambos os serviços.
Lições aprendidas:
Os resultados evidenciam que a construção do cuidado compartilhado tem potencializado a eficácia da rede, oferecendo uma jornada mais qualificada e integral para os pacientes. Esta prática, implementada com êxito nos CAPS, reflete os avanços alcançados após 23 anos da reforma psiquiátrica no Brasil, demonstrando evolução contínua no modelo de atendimento e na integração dos serviços de saúde mental.
Vídeos
Equipe
Responsável:
Régis Buldo Pires
Filiação
APS Santa Marcelina
Cargo
Psicólogo/Gerente de Serviços de Saúde
E-mail
regispires2@gmail.com
Telefone
(11) 96847-0020
Currículo
Membros:
Outras Informações
COLEÇÃO
| Secretaria Municipal da Saúde (SMS-SP) |
ÁREA TEMÁTICA
| Não se aplica |
Situação da experiência
| Implementada e em operação regular |
DATAS
Início: 2023-11-30PAÍS
| Brasil |
ESTADO/REGIÃO
São PauloCIDADE
São PauloLocal
CAPS Infantojuvenil de Guaianases e UPA Julio Tupy
POPULAÇÃO
| Adolescente |
| Criança |
IDIOMA
PortuguêsDescritores
Serviços de Saúde MentalTranstornos Relacionados ao Uso de Substâncias
Relações Interinstitucionais
Palavras-chave
CAPSSaúde Mental
Infância e Adolescência
Rede de Saúde
Observações
A produção ocorreu quando o autor principal estava como psicólogo no serviço CAPS IJ Guaianases e a coautora como Gerente na mesma unidade, ambos não ocupam mais o mesmo cargo neste serviço.